Comportamentos de Segurança como prevenção da Violência Doméstica
IN Jornal de Setúbal
Outubro de 2008
Viver diariamente uma situação de violência doméstica é um flagelo. E quando a vitima se liberta, persiste o medo do reencontro com a pessoa agressora. Este pode acontecer ao virar da esquina, ao entrar em casa, a caminho do emprego, quando acompanha as crianças à escola ou faz as compras para a casa… E infelizmente na maior parte dos casos estes medos têm fundamento, pois a pessoa agressora não desiste nem pretende abdicar da relação de poder e controle que exercia sobre a vitima. Assim como, também não percebe nem quer aceitar que a relação mudou e aquela pessoa já não mais faz parte do seu quotidiano e que até está a conseguir refazer a sua vida. A pessoa agressora vive obcecada com a ideia de ter sobre o seu domínio a vítima, a quem aliás responsabiliza pelos seus comportamentos abusivos e agressivos, uma vez que a vitima é descrita com uma pessoa fraca, incapaz, pouco esperta, influenciável, imatura e acima de tudo provocadora…Mas é da vitima que nos vamos ocupar, ou seja, como pode ela evitar e minimizar os efeitos destes encontros indesejáveis? Como continuar a sua vida apesar das ameaças de novas agressões físicas ou psicológicas? Alterar as suas rotinas, horários e percursos. Informar um familiar ou uma pessoa amiga das suas deslocações e do tempo previsto para as realizar, informar as autoridades policiais e judiciais que a pessoa agressora está a rondar, a intimidar e a perturbar de novo a sua vida! Alterar o número de telefone e informar familiares, amigos e colegas de trabalho que este não deve ser divulgado…Quando a vitima se desloca a pé deve evitar locais isolados assim como, deve estacionar a sua viatura em diferentes locais para que seja mais difícil de localizar! O medo é mau conselheiro e bloqueia a atitude certa, deste modo, a vítima deve estar preparada para possíveis maus encontros adoptando, algumas medidas de segurança que possibilitem respostas saudáveis e seguras para os mesmos. O medo é vencido e a vitima recupera a pouco e pouco a sua autonomia e autoconfiança. O não alterar a sua atitude pode ter implicações graves na sua vida e na sua liberdade. A pessoa agressora também percebe que a estratégia do medo já não tem o mesmo impacto nem o efeito paralisante, junto da vítima. Na maior parte dos casos a pessoa agressora desiste da sua atitude intimidadora quando é confrontada com as consequências graves da sua conduta. No entanto, para algumas pessoas a violência faz delas vítimas mortais, de pessoas agressoras que não aceitam UM BASTA!
05.01.2009