Violência atinge 33% das portuguesas
Número de mulheres que já foram vítima de violência doméstica é elevado e atinge todas as classes, diz a UMAR
A violência doméstica atinge fundamentalmente as mulheres. Hoje em dia morrem mais mulheres vítimas de violência de género do que, por exemplo
Cada vez com maior frequência, o uxoricídio (homicídio de mulheres nas relações de intimidade) e tentativas de assassinato e agressões constituem notícia nos órgãos de comunicação social. Há já mesmo uma tese académica defendida por Artemisa Coimbra, elaborada a partir dos crimes de homicídio e agressões a mulheres noticiadas pelo Jornal de Notícias.
A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) é das instituições que mais se tem destacado no combate à violência doméstica e, segundo a sua vice-presidente, Maria José Magalhães - professora universitária e investigadora na Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação do Porto - em Portugal, em cada três mulheres, uma é ou foi, vítima de violência doméstica. É um número elevado, chocante, real e o drama é transversal atingindo todas as classes sociais, idades, culturas, e grau académicos.
Maria José Magalhães considera urgente acabar com o drama, ou pelo menos minorá-lo, e garante que a sua organização tem desenvolvido uma série de acções ligadas à prevenção primária, secundária e terciária.
Na área da prevenção primária, a investigadora diz que as acções têm lugar nas escolas e nas associações culturais e recreativas e "incidem na educação das crianças, dos jovens e dos adultos para a mudança de comportamentos e atitudes". A nível da prevenção secundária, e tendo em conta que o problema muitas vezes já existe, é necessário dar resposta social imediata que contribua para minorar o drama.
"A sociedade portuguesa - diz a mesma investigadora - está muito deficitária, principalmente a nível da prevenção primária e secundária.
A UMAR tem lutado para que haja um maior investimento quer financeiro, quer de recursos humanos". E porquê? A resposta não tarda: "As mulheres e as jovens que são vítimas de violência precisam de uma resposta global, consistente, de qualidade e de continuidade. É importante - prossegue Maria José Magalhães - receber a vítima e a sua família até ao seu processo de autonomização que engloba o encontrar de casa, segurança, estar bem economicamente e o acompanhamento das crianças nas escolas. Tudo o que estiver a montante disto é insuficiente e pode levar a vítima a voltar para o agressor e, como tal, pôr de novo a sua vida em risco".
Em relação à prevenção terciária, Maria José Magalhães considera que Portugal já possui um avanço significativo. Dispõe de 34 casas de abrigo (onde se encontram a viver mulheres vítimas de maus tratos) que permitem assegurar o conforto e bem estar de centenas de mulheres em risco.
26.11.2008