A violência na escola e a escola violenta – O bullying na escola.
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A escola é um espelho que reflecte a imagem da sociedade em que está inserida. Nela (a escola) depositamos os nossos desejos, sonhos, desencantos e desencontros...
Fonte: Jornal de Setúbal 14.01.2008
Autoria: Equipa do Projecto Bem Me quero
A escola é um espelho que reflecte a imagem da sociedade em que está inserida. Nela (a escola) depositamos os nossos desejos, sonhos, desencantos e desencontros na esperança que ela (a escola) com a sua varinha de condão transforme os nossos pesadelos em contos de fadas com um final feliz.
Não gostamos da escola que temos: é violenta. As agressões que envolvem alunos (as), professores (as), auxiliares de educação e os (as) encarregados (as) de educação são frequentes! Então talvez seja a hora de dizer que não gostamos da sociedade em que vivemos: é violenta.
As atitudes agressivas que temos no quotidiano podem violentar quem está por perto, no trânsito quando impacientemente insultamos quem conduz devagar ou depressa, quem se engana ou hesita o caminho a seguir, quando praguejamos quando o tempo passa e a fila não anda, quando insultamos e humilhamos quem se cala e não nos responde “à letra”, quando o nosso tom de voz intimida e amedronta quem não nos enfrenta, quando mexemos “os cordelinhos” para nos “safar de uma enrascada” deixando alguém “nos cornos do touro” e nós seguimos caminho com um encolher de ombros como quem diz “paciência não fosse parvo(a)”…Pois provavelmente também não gostamos desta nossa imagem que crianças, adolescentes e jovens reproduzem nas suas relações entre pares, na escola. Logo aí, a escola onde as nossas crianças, adolescentes e jovens deviam estar protegidos e seguros para realizarem as aprendizagens fundamentais para enfrentarem os desafios futuros, da vida adulta! Este ritual de passagem deveria ser mediatizado pelos adultos – professores, auxiliares e encarregados de educação – para que as provas (e não só os testes…) fossem ultrapassadas com sucesso! Situações há, em que os adultos (menos atentos…) não percebem os sinais de conflito, agressividade e violência em seu redor e o bullying ganha espaço e impõe-se como prática corrente e aceite. O silêncio das vitimas mantêm-se pelo medo das represálias e não pedem ajuda quando são ameaçadas, assaltadas, agredidas, manipuladas, humilhadas e descriminadas.
Não enfrentar este problema e resolve-lo só o agrava, considera-lo “coisa passageira” é passar um visto para que estas crianças, adolescentes e jovens quando se tornarem adultos tenham atitudes de bullying nas suas famílias, com os seus amigos e conhecidos, nos seus empregos…para com qualquer um de nós! O ditado popular “mais vale prevenir que remediar” também aqui se aplica! Promover atitudes de solidariedade e de entreajuda, fomentar a igualdade de género e a partilha de tarefas na família, escolher o diálogo como forma de resolver conflitos, valorizar o empenho e o brio pessoal na realização de tarefas contribuí decisivamente para uma escola mais saudável e acolhedora.
28.04.2008